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Publicação sobre protocolo do estudo ERICA

Bloch et al. The Study of Cardiovascular Risk in Adolescents-ERICA: rationale, design and sample characteristics of a national survey examining cardiovascular risk factor profile in Brazilian adolescents. BMC Public Health. 2015 Feb 7;15:94.

Suplemento da Revista de Saúde Pública com principais dados do ERICA

Já foi publicado em um suplemento da Revista de Saúde Pública os principais dados do ERICA, em fevereiro de 2016.

Confira os 13 artigos no link abaixo:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0034-891020160002&lng=pt&nrm=iso

 

Resultados Preliminares do Estudo Piloto: Abril a Junho de 2012

Com o objetivo de testar os instrumentos e equipamentos que serão utilizados na pesquisa nacional, bem como a logística do trabalho de campo e de coleta, transporte e análise do material bioquímico, foi realizado um estudo piloto do ERICA. Esse estudo piloto aconteceu em cinco cidades: Rio de Janeiro (RJ), Cuiabá (MT), Feira de Santana (BA), Campinas (SP) e Botucatu (SP). Em cada uma das cidades foram selecionadas três escolas, sendo duas públicas e uma privada. Em cada escola foram sorteadas para participar do estudo 3 turmas do 7º, 8º e 9º anos do ensino fundamental e 1º, 2º e 3º anos do ensino médio.

Em um estudo piloto não é necessário que a amostra dos participantes seja representativa da população, mas as condições do estudo devem ser semelhantes às que serão encontradas no estudo nacional. Assim, não se pode dizer que os resultados observados representam a prevalência, ou seja, a frequência daquela característica entre os adolescentes de cada cidade, pois foram analisados apenas adolescentes de 3 escolas que aceitaram participar do piloto.

Foram avaliados 1136 adolescentes, correspondendo a 84,3% dos que estavam frequentando as escolas. Dentre os 1001 alunos do turno da manhã, 603 realizaram o exame de sangue, correspondendo a 60,2% dos alunos deste turno.

Na tabela 1, observa-se o número de alunos avaliados em cada cidade. 

 

Dos adolescentes avaliados, 52,4% eram do sexo masculino e a média de idade foi de 13,8 anos (Tabela 2).

   

 

A avaliação nutricional dos adolescentes foi feita pelo cálculo do índice de massa corporal, uma relação entre peso e estatura (IMC=peso/estatura2), considerando sexo e idade. Dos adolescentes avaliados, aproximadamente 20% apresentaram sobrepeso e 10% obesidade. Ou seja, 30% têm excesso de peso (Tabela 3).

 

 

Devido à variabilidade fisiológica da pressão arterial, para um diagnóstico definitivo de pressão arterial elevada (limítrofe ou hipertensão) preconiza-se a realização de medidas de pressão arterial em pelo menos duas ocasiões diferentes. Em um estudo populacional, no entanto, é difícil realizar este número de medidas. No piloto, assim como será no estudo nacional do ERICA, foram realizadas 3 medidas de pressão arterial na mesma ocasião e os adolescentes foram classificados, como tendo: pressão arterial normal, pressão arterial limítrofe ou pressão arterial elevada, segundo sexo, idade e estatura, utilizando-se a média das duas últimas medidas. Do total de adolescentes avaliados, aproximadamente 12% tiveram pressão arterial limítrofe e 10% pressão arterial elevada (Tabela 4).

 

 

As alterações metabólicas mais frequentes foram HDL colesterol (o “bom colesterol”) baixo, 19,4% (mín. 10,9% e máx. 36,2%) e colesterol total elevado (mín. 14% e máx. 21,1%). Glicemia elevada foi observada em 5,3% dos adolescentes (mín. 1,4% e máx. 10,1%) (Tabela 5).

 

 

Todos os adolescentes receberam os resultados dos seus exames assim como da avaliação antropométrica e da pressão arterial e foram orientados a verificar na página do ERICA (em Cheque sua Saúde) os valores de referência dos exames laboratoriais e a checar se suas medidas de massa corporal e pressão arterial encontram-se dentro dos limites da normalidade.

Receberam indicação de acompanhamento em serviço de saúde por apresentarem obesidade, pressão arterial elevada ou alterações metabólicas 32% dos adolescentes avaliados (Tabela 6).

 

  

 

Os adolescentes também responderam a um questionário autopreenchível utilizando um coletor eletrônico de dados. O questionário continha perguntas sobre características sociodemográficas (cor da pele, escolaridade dos pais, posse de bens, atividades laborais) e sobre diversos hábitos e comportamentos relacionados à saúde, entre eles, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, hábitos alimentares, saúde bucal e reprodutiva.

Quanto à cor da pele/raça, 44% dos adolescentes relataram que são brancos, 41% pardos, 10% negros e 5% de outra cor/raça.

Em relação à família, 12% responderam que não moram com a mãe e 37,5% que não moram com pai.

A presença de computador com internet em casa foi mencionada por 78% dos adolescentes.

Sobre os hábitos alimentares, aproximadamente 20% dos adolescentes relataram não tomar café da manhã e 28% tomam café da manhã às vezes. Apenas 34% dos adolescentes relataram que almoçam com os pais/responsáveis todos os dias e 45% que jantam com seus pais/responsáveis diariamente. Cerca de 30% dos adolescentes almoçam e jantam assistindo TV todos os dias e 85% dos adolescentes comem “petisco” assistindo TV.

Aproximadamente 50% dos adolescentes passam mais de 3 horas por dia em frente ao computador, videogame ou televisão, sendo que destes, 10% relataram passar mais de 7 horas por dia.

No tocante à prática sexual, cerca de 20% dos adolescentes estudados já iniciaram sua atividade sexual, sendo que esse percentual foi de 13% para as meninas e de 27% para os meninos.

Com relação à saúde bucal, quase 50% dos adolescentes relataram não fazer uso do fio dental para higienização dos dentes.

Com relação à prática de atividade física, 11% dos adolescentes não praticam nenhuma atividade, enquanto 33% praticam pelo menos uma e 20% pelo menos duas atividades físicas por semana.

Do total de adolescentes avaliados, aproximadamente 16% relataram já ter experimentado cigarros, mas apenas 2% dizem que fumam atualmente. Cerca de 26% ficam em contato com a fumaça de cigarros na casa onde moram e 45% dos adolescentes têm contato com a fumaça fora de casa.

Cerca de 54% dos adolescentes já experimentaram ou ingeriram bebida alcoólica, sendo que 9% destes relatam não ter bebido mais do que alguns goles. Nos últimos 30 dias, 14% dos adolescentes ingeriram bebida alcoólica 1 ou 2 dias, sendo que 3,2% ingeriram 5 ou mais doses. Os tipos de bebidas mais consumidos são cerveja, ice e drinques à base de tequila, vodka ou rum.

Em relação à duração das horas de sono, retirando-se algumas respostas extrema/improváveis (<3h ou >14h), e combinando-se dias de semana e finais de semana, cerca de 5,5% dos adolescentes referiram dormir menos de 6h por noite e 13% mais de 10h.

Análises mais detalhadas serão realizadas para observar se a frequência de diferentes características varia por sexo, cor da pele, classe social (vista como classificação socioeconômica, escolaridade do chefe da família/mãe, escola pública privada).

 

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